Vocação e Missão

Em Abrir de 2022 a 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) aprovou a realização do Terceiro Ano Vocacional da Igreja
no Brasil, a se iniciar em 20 de novembro de 2022 e com final em 26 de novembro
de 2023, ambas as datas, Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. A
finalidade deste Terceiro Ano Vocacional seria renovar a reflexão, oração e
promoção das vocações no país. O tema escolhido foi “Vocação: Graça e Missão” e
o lema “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24, 32-33). (cf. site Ano Vocacional
no Brasil da CNBB).
Para nós, leigos, talvez passe despercebido o propósito do Ano Vocacional.
Seria mais um ano litúrgico, com uma sucessão de missas dominicais com eventuais
citações, homilias, orações ou cânticos baseados no tema, mas sem nada a
acrescentar aos ritos litúrgicos ordinários e, principalmente, sem qualquer correlação
com a nossa vida laica. No máximo o Ano Vocacional seria, talvez, dedicado
apenas aos que optaram pela vida religiosa, presbíteros, monges, frades, freiras ou
àqueles que se preparam para a seguir, seminaristas ou noviços.
Assim, pode-nos parecer que só são vocacionados (guiados, orientados)
apenas aqueles a quem Deus escolheu para a vida religiosa, ficando todos nós, os
que optaram pelo casamento, fora do chamado de Jesus.
Mas uma passagem do Evangelho de Lucas nos dá um alento e a esperança
de que Jesus, sim, pensou também nos casados. Vejamos: “O Senhor escolheu
outros setenta e dois e enviou-os, dois a dois, à sua frente, a toda cidade e lugar
para onde ele mesmo devia ir.” (Lc 10, 1).
O Papa Francisco concretizou essa esperança, ao afirmar “O matrimónio é
uma vocação, sendo uma resposta à chamada específica para viver o amor conjugal
como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decisão de casar e
formar uma família deve ser fruto de um discernimento vocacional” (cf. Exortação
Apostólica Amoris Laetitia, 72).
Mas o chamado para o casamento se refere meramente à vida em família,
isto é, os seus membros devem viver somente para si mesmos? É claro que a
principal missão que os pais devem ter é cuidar da educação e saúde dos filhos e
destes respeitarem os pais. E quanto ao envio do Senhor, “dois a dois à sua frente”
(Lc 10, 1)?
No site do Ano Vocacional no Brasil da CNBB, na página “Vocação: Graça e
Missão”, dentro do “Subsídio para as Famílias” é dito que alguns estudiosos bíblicos
afirmam que os dois discípulos de Emaús são Cleofas (Lc 24,18) e sua mulher,
Maria (cf. Jo 19,25). Este casal de discípulos, a partir do momento em que
acreditaram na ressurreição de Jesus, com “os corações ardentes”, passam a ter
coragem de colocar “os pés a caminho” para anunciar à comunidade: “O Senhor
ressuscitou!”.
Dissemos “que a principal missão que os pais devem ter é cuidar da
educação e saúde dos filhos”, mas sabemos que a missão só se torna completa, se
desde os primeiros anos de vida os encaminhem para Deus, para os irmãos e para a
Igreja, mas uma Igreja em Saída, como afirma o Papa Francisco: “Gostaria de me
dedicar agora à vocação entendida no sentido preciso da chamada ao serviço
missionário dos outros...”. (Cf. Christus Vivit, 253).
Concluímos esta nossa reflexão, sugerindo que a melhor forma de todos os
membros da família, pais e filhos, corresponderem à sua vocação familiar e
cumprirem a missão que lhes é devida na Igreja em Saída, no “serviço missionário
dos outros”, e no anúncio à comunidade “O Senhor ressuscitou!” é aderirem a uma
das pastorais, movimentos ou associações, que existem na sua Paróquia.

 

 

        Fernando José Pinto

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